domingo, 11 de janeiro de 2015

A BIOGRAFIA DE EDGAR ALAN POE

Por R. Xavier

    Edgar Allan Poe, nasceu em 19 de janeiro de 1809, em Boston, EUA, filho de um paupérrimo casal de atores mambembes. Seu avô, David Poe, tinha feito a Guerra da Independência. Fora "Quartel-master-general" de Lafaiete, que lhe atribuiu mandatos importantes, dispensando-lhe estima e admiração. O filho mais velho também se chamou David Poe e se fez herdeiro dos espírito de aventura, que conduzia seu pai às trincheiras, sob o comando do general francês. Apaixonando-se pela atriz inglesa Elizabeth Arnold, mulher de estonteante formosura, David rompera todos os laços de família, casando-se e fazendo-se ator também para percorrer todas as cidades norte-americanas com sua "troupe".

A vida errante não lhe concedeu nunca os indispensáveis recursos de vida. Breve o casal tinha dois filhos: Willian e Edgar. Pouco mais tarde o nascimento de Rosalie comprometerá a saúde materna, já comprometida pelos sacrifícios da existência incerta um pouco vagabunda, feita de imprevistos cruéis e de misérias implacáveis. O pai David, doente, desapareceu quando o pequeno tinha pouco mais de um ano, vindo a falecer em Norfolk em outubro de 1810. A mãe Elizabeth, atriz talentosa e vítima de tuberculose, deixava o jovem órfão em dezembro de 1811, em Richmond.

Um rico exportador de fumo, o casal John e Francis Allan assumiu a tutela do menino e deu ao futuro poeta talvez as únicas oportunidades de sucesso em vida. Apesar do amor de Francis, John e Edgar jamais entraram em acordo: o pai o queria advogado, político e mesmo um comerciante.

Em 1822, os padastros o enviam à Universidade de Virgínia. Poe só pensava na literatura e, desde os 14 ou 15 anos, escondia-se para escrever. Elmira Royster, uma das grandes paixões, surgiu aos seus olhos nesta época.

Aos dezessete anos Poe dividia-se entre a leitura, a criação e o vício. Desde cedo mostrava-se fraco para o álcool, além de jogador compulsivo. Em apenas um ano longe da família, suas farras criaram uma dívida de milhares de dólares que, se nunca chegou a ser liquidada, bastou para solidificar as desavenças entre pai e filho. Longe da academia, preferiu fugir de casa e alistar-se com o falso nome nome de Henry Le Rennét no exército. Fugia, assim, da supervisão paterna, dos credores, do amor esfacelado (Elmira havia de casado) e - talvez exemplo para Sartre, Hemingway e Orwell - encontrava na caserna o tempo para escrever. Seus bons serviços às armas lhe renderam recomendação para West Point, mas o sargento só tinha sentidos para a literatura: como cadete, aguentou lá menos de oito meses.

Nas fases de miséria (elas foram praticamente eternas), Poe se refugiava na casa da tia Maria Clemm, dividindo espaço com avó paralítica, o irmão igualmente poeta e acoólotra, a jovem prima e o primo tuberculoso. Nada o impedia de escrever, nada freava a verve desgraça. Ao abandonar West Point, reuniu o que lhe sobrava de dinheiro e integridade física (muito pouco), somou ao ímpeto criativo (este, abundante) e investiu na carreira jornalística.

Vagando entre os periódicos de Baltimore, Richmond e New York, Poe iniciou sua fase de sucesso (se é que pode ser assim chamada) como contista e crítico. Sempre em troca de migalhas, estampava clássicos como "O Relato de Arthur Gordon Pym" e "Manuscrito Encontrado Numa Garrafa" nas páginas fugazes dos jornais. Escreveu "A Conversa de Eiros e Charmion" e o quase autobiográfico "Willian Wilson" nesse período de relativo reconhecimento.

Publica, em 1831 "Poemas", em 1833 "Manuscrito Encontrado Numa Garrafa".

Em setembro de 1835, aos 26 anos, Poe casava em segredo com a prima Virgínia Clemm (sua musa para Annabel Lee, Ligéia, Berenice, Madeline...) de apenas 13 anos. Afundava-se cada vez mais no rum e na morfina, atirava-se como suicida às festas, saraus e noitadas, mas ainda mantinha o pulso com boa caligrafia, o cérebro criatico e o vocabulário ferino.

Em 1838, em Filadélfia, trabalha como editor no Button's Gentrleman Magazine.  Escreve "A Queda da Casa de Usher e "Contos do Grotesco e do Arabesco".

Em 1840, demite-se do Button's e, em 1841, passa a editar Graham's Magazine; nele publica seu primeiro romance policial, "Os Crimes da Rua Morgue", "O Mistério de Marie Rogêt" e também "O Escaravelho de Ouro".

Em 1845, torna-se subeditor do Evening Mirror, onde publica o célebre e eterno "O Corvo" em 29 de janeiro do mesmo ano. O "Contos do Grotesco e do Arabesco" é publicado na França como "Histórias Extraordinárias", por Baudelaire.

Em 30 de janeiro de 1847, a bela Virgínia morre de tuberculose, depois de longo tempo de sofrimento; e Poe começa manifestar os primeiros sintomas de desgaste físico: problemas coronarianos e cérebro lesado pelos aditivos punham o poeta sob constante supervisão médica.

Em 1848, escreve "A Balela do Balão", "Relato", obras definitivas como  "Romances em Prosa", "Eureka, Um Poema em Prosa".

Como os pais verdadeiros, o jornalista fazia das viagens um necessidade constante da profissão e, na noite de 2 de outubro de 1849, após publicar "Annabel Lee", num destes deslocamentos de barco rumo à Filadelfia, desceu em Baltimore e foi beber numa taberna localizada na Rua Lombard. Após uma bebedeira, é encontrado inconsciente no dia seguinte. Levado para um hospital às pressas constatou-se vítima de uma violenta congestão cerebral. No hospital, ainda resistiu por quatro dias com intensos delírios, até que no dia 7 de outubro veio a falecer, praticamente sozinho. Os médicos haviam advertido do perigo de voltar ao copo, mas nem mesmo o casamento já anunciado com o amor da adolescência, Elmira, colocou o indomável sob as armarras do bom comportamento.

A base de toda a prosa de Poe apóia-se no fantástico das exacerbações da natureza humana: Alucinações cuja a lógica ultrapassa a da consciência habitual; mentes inquietas e febris; personagens neuróticas; o duplo de cada homem. A impressão de realismo é criada dentro do irreal. Os cenários são brumosos, repletos de elementos de morte e fatalidade. O fatalismo e o mergulho no lado desconhecido da alma humana revelam um vivência pessoal que fez de Poe um dos principais "escritores malditos" da Literatura Universal.

Mesmo ao morrer, Poe foi um infeliz. A ironia do destino fez com que o homem que passou a vida sob as sombras, retratando-as com inigualável maestria, passou a brilhar apenas após a morte, quando as brumas que arquitetou se espalharam pelo mundo e, ao contrário das tristezas que as deram gênese, transformaram-se em luz criativa. Que recaiam cada vez mais os devidos louvores sobre este mártir da literatura.

A influência de Poe estendeu-se à poesia simbolista, à ficção científica, ao romance policial moderno e psicológico.

Fonte: Arquivos Pessoais